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5 de fevereiro de 2025

ESG em foco: quais os desafios e oportunidades para 2025?

Por: Diego Rossaneis

Com a Agenda 2030 da ONU em contagem regressiva, empresas e governos estão sob crescente pressão para cumprir os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), com foco prioritário naqueles relacionados à redução de emissões de gases de efeito estufa. Diante dessa preocupação e urgência, o progresso até agora tem sido lento, e 2025 tem tudo para ser um ano decisivo para essa jornada. Como País Sede da COP30 em 2025, o Brasil tem o potencial de assumir um papel estratégico nessa transição.

No que tange à legislação, 2025 será um ano de grandes desafios, a começar pela taxonomia mais rigorosa da União Europeia. No relatório da CSDR, empresas de médio e grande porte terão que comprovar como atuam com as práticas ESG em seus modelos de negócio, tudo mediante a apresentação de relatórios auditáveis que deverão seguir normativas e metodologias pré-determinadas, a fim de facilitar a certificação das informações ali lançadas.

Um grande passo será a Lei Antidesmatamento da UE, que entra em vigor no final do ano e estabelece due diligence rigorosa para empresas que importam produtos como carne bovina, café, soja, cacau, óleo de palma, madeira e borracha natural, juntamente com seus derivados. Ela estabelece que nenhum produto proveniente de área desmatada após 31 de dezembro de 2020 poderá entrar no mercado europeu. No Brasil, as companhias abertas com ações negociadas na B3 poderão cumprir voluntariamente as exigências da Resolução 193/2023 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) quanto aos relatórios sobre práticas ESG, que se tornarão obrigatórios em 2027 e baseados nos padrões globais do International Sustainability Standards Board.

A inteligência artificial pode ajudar muito na auditoria de governança, na identificação de emissões de gases de efeito estufa e na coleta de dados ESG, que geralmente são difíceis de mensurar. O uso de IA, contudo, exige cuidado e transparência, especialmente em setores sensíveis, como saúde e meio ambiente. Consumidores e investidores estão mais conscientes e sabem como identificar quando uma empresa está fazendo “Greenwashing”, ou seja, disseminando informações falsas sobre suas práticas sustentáveis. Falar sobre sustentabilidade pode ser custoso sem mostrar ações tangíveis, especialmente com as novas exigências esperadas.

Atualmente, inúmeras empresas já adotam práticas sustentáveis em suas rotinas; contudo, deixam de evidenciá-las e divulgá-las. Isso se deve, em sua grande maioria, ao desconhecimento das normas regulamentadoras e/ou pela suposta complexidade na geração de relatórios de sustentabilidade, o que acaba por desmotivar o empresário. Nesse ponto, ressaltamos a importância de uma assessoria especializada, que entenderá a necessidade do empresário, analisará eventuais práticas sustentáveis já adotadas por ele, sugerirá outras e gerará relatórios de sustentabilidade nos padrões exigidos pelo mercado, tornando-se indispensável.

O ano de 2025 virá com grandes desafios e oportunidades. Mas não se trata apenas de atender aos requisitos; o comprometimento com práticas ambientais, sociais e de governança será, mais do que nunca, um diferencial competitivo, e as empresas que abraçarem essa transformação estarão mais bem preparadas para o futuro do mercado.